O erro que salvou milhões: EUA ignoram quartzito e Brasil respira
- Igor Caetano
- 31 de jul. de 2025
- 2 min de leitura

Quartzito escapa do tarifaço americano graças ao desconhecimento do mercado
Um dado curioso pode ter salvo milhões de dólares da indústria brasileira de rochas ornamentais: o desconhecimento generalizado sobre o que é quartzito. A rocha natural, resistente e cada vez mais presente em projetos de alto padrão, ficou de fora da tarifa de 50% imposta pelos Estados Unidos a diversos produtos brasileiros a partir de agosto de 2025. E o motivo pode não ter sido técnico. Foi semântico.
A nova taxação atinge blocos brutos e chapas de granito e mármore. Mas o quartzito polido ou escovado, corretamente classificado, foi poupado. Uma brecha que virou alívio para o setor — e que parece ter passado despercebida justamente porque o termo “quartzite” é quase invisível no radar das buscas globais e americanas.
Google Trends expõe o paradoxo
Analisando dados do Google Trends entre agosto de 2024 e julho de 2025, a discrepância é gritante. Enquanto "Marble" e "Granite" dominam as buscas tanto no mundo quanto nos EUA, "Quartzite" praticamente não existe na percepção do consumidor final, dos arquitetos e até de alguns especificadores.

Nos EUA, na semana de 27 de julho a 2 de agosto de 2025:
Marble: 98
Granite: 90
Quartzite: 7

No mundo, na mesma semana:
Marble: 100
Granite: 69
Quartzite: 5
Essa invisibilidade digital pode ter feito a diferença. Ao manter o quartzito fora da mira do tarifaço, os reguladores norte-americanos talvez tenham simplesmente seguido a tendência do mercado: olharam para o que era mais buscado, mais conhecido, mais rotulado... e deixaram passar o mais técnico e menos popular.
A confusão começa nos próprios players
Não é só o consumidor final que erra. No Brasil, é comum ver empresas vendendo quartzito com o rótulo “mármore” ou “granito”, para facilitar a comunicação. É marketing. É hábito. E é também o reflexo de um mercado que ainda não educou seu público, nem os profissionais que influenciam a escolha de materiais.
Arquitetos, designers de interiores e até fornecedores usam o termo “granito” como sinônimo genérico para qualquer pedra polida. E isso, ironicamente, ajudou. Quando o termo técnico “quartzite” apareceu nas listas tarifárias, ele passou batido. E a exceção virou vantagem.
Afinal, qual a diferença entre eles?
Granito é uma rocha ígnea, dura, composta por quartzo, feldspato e mica. Muito resistente, comum em bancadas e áreas externas.
Mármore é uma rocha metamórfica, formada a partir do calcário. Tem veios marcantes, toque acetinado e porosidade maior.
Quartzito também é metamórfico, mas formado a partir do arenito. É mais duro que o granito, com aparência semelhante ao mármore e alta resistência a riscos e calor. Ou seja: junta beleza e performance.
Oportunidade ou alerta?
A salvação momentânea do quartzito mostra como a falta de informação pode, às vezes, proteger. Mas também escancara a urgência de o setor educar o mercado, padronizar nomenclaturas e comunicar com mais clareza.
Porque na próxima rodada de tarifas, a sorte pode não bater à porta. E se o nome estiver errado na nota fiscal, no invoice ou no laudo técnico, o prejuízo virá com código e multa.
Por enquanto, o desconhecimento do quartzito virou escudo. Mas o setor precisa decidir se quer continuar invisível... ou relevante.








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