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O erro que salvou milhões: EUA ignoram quartzito e Brasil respira

Quartzito escapa do tarifaço americano graças ao desconhecimento do mercado


Um dado curioso pode ter salvo milhões de dólares da indústria brasileira de rochas ornamentais: o desconhecimento generalizado sobre o que é quartzito. A rocha natural, resistente e cada vez mais presente em projetos de alto padrão, ficou de fora da tarifa de 50% imposta pelos Estados Unidos a diversos produtos brasileiros a partir de agosto de 2025. E o motivo pode não ter sido técnico. Foi semântico.


A nova taxação atinge blocos brutos e chapas de granito e mármore. Mas o quartzito polido ou escovado, corretamente classificado, foi poupado. Uma brecha que virou alívio para o setor — e que parece ter passado despercebida justamente porque o termo “quartzite” é quase invisível no radar das buscas globais e americanas.

Google Trends expõe o paradoxo

Analisando dados do Google Trends entre agosto de 2024 e julho de 2025, a discrepância é gritante. Enquanto "Marble" e "Granite" dominam as buscas tanto no mundo quanto nos EUA, "Quartzite" praticamente não existe na percepção do consumidor final, dos arquitetos e até de alguns especificadores.


  • Nos EUA, na semana de 27 de julho a 2 de agosto de 2025:

    Marble: 98

    Granite: 90

    Quartzite: 7


  • No mundo, na mesma semana:

    Marble: 100

    Granite: 69

    Quartzite: 5


Essa invisibilidade digital pode ter feito a diferença. Ao manter o quartzito fora da mira do tarifaço, os reguladores norte-americanos talvez tenham simplesmente seguido a tendência do mercado: olharam para o que era mais buscado, mais conhecido, mais rotulado... e deixaram passar o mais técnico e menos popular.

A confusão começa nos próprios players

Não é só o consumidor final que erra. No Brasil, é comum ver empresas vendendo quartzito com o rótulo “mármore” ou “granito”, para facilitar a comunicação. É marketing. É hábito. E é também o reflexo de um mercado que ainda não educou seu público, nem os profissionais que influenciam a escolha de materiais.


Arquitetos, designers de interiores e até fornecedores usam o termo “granito” como sinônimo genérico para qualquer pedra polida. E isso, ironicamente, ajudou. Quando o termo técnico “quartzite” apareceu nas listas tarifárias, ele passou batido. E a exceção virou vantagem.

Afinal, qual a diferença entre eles?

  • Granito é uma rocha ígnea, dura, composta por quartzo, feldspato e mica. Muito resistente, comum em bancadas e áreas externas.

  • Mármore é uma rocha metamórfica, formada a partir do calcário. Tem veios marcantes, toque acetinado e porosidade maior.

  • Quartzito também é metamórfico, mas formado a partir do arenito. É mais duro que o granito, com aparência semelhante ao mármore e alta resistência a riscos e calor. Ou seja: junta beleza e performance.

Oportunidade ou alerta?

A salvação momentânea do quartzito mostra como a falta de informação pode, às vezes, proteger. Mas também escancara a urgência de o setor educar o mercado, padronizar nomenclaturas e comunicar com mais clareza.


Porque na próxima rodada de tarifas, a sorte pode não bater à porta. E se o nome estiver errado na nota fiscal, no invoice ou no laudo técnico, o prejuízo virá com código e multa.


Por enquanto, o desconhecimento do quartzito virou escudo. Mas o setor precisa decidir se quer continuar invisível... ou relevante.

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© ArchStoneHub - Jul/2025

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